“ZÉ BOCA”

20/11/2010

José é um homem comum, simples, caladão e respeitador. Dizem que nunca namorou porem, quando “Toma umas e outras” doses de aguardente a coisa esquenta, transformando a água em vinho e vem à tona “Zé Boca” falador e freqüentador dos velórios e bares com sua língua afiada para atualizar a comunidade nos assuntos correntes da política e outros acontecimentos. É um homem globalizado, tem argumento para tudo com sua dicção de parlamentar popular, ao se recolher ao seu lar, o mais inusitado é quando surpreende a quem passa devido o arêrê e o derruba barracos com gritos, ofensas, bater de panelas, portas etc.

- José oh José não bate no menino.
Diz uma voz fina de mãe aflita.
- Que nada mulher este moleque não quer estudar.
É uma voz grossa autoritária de um pai preocupado.
- Não me bata, mais papai eu vou me comportar e estudar.
É um filho que responde, é uma criança obediente.
- Eu não te criei batendo José deixe meu querido neto em paz, ele é um bom menino.
É uma senhora, uma avó idosa e preocupada com sua família.
O dialogo continua noite adentra, para os vizinhos é motivo de gracejos é o nosso Zé Boca que no seu eu vive mesmo por horas a família fictícia onde imita os personagens que lhe faltam na vida real.
No dia seguinte volta “Zé Boca” a ser José que passa calado simples e respeitador, sem magoar nem marcas aparentes da noite anterior.

Agnaldo Barreto